Governança não se improvisa: reflexões sobre IPOs recentes no Brasil

O Brazil Journal publicou recentemente o artigo de opinião intitulado “Como evitar IPOs desastrosos? Comece levando a governança a sério”, trazendo uma reflexão relevante sobre o desempenho das ofertas públicas realizadas no Brasil nos últimos anos. A matéria aponta que uma parcela significativa dos IPOs realizados no ciclo recente apresentou desempenho inferior ao Ibovespa no período subsequente à abertura de capital. O dado reforça uma conclusão importante: o sucesso no mercado de capitais não depende apenas do momento da oferta, mas sobretudo da qualidade estrutural da companhia. A íntegra do artigo pode ser acessada no Brazil Journal:https://braziljournal.com/opiniao-como-evitar-ipos-desastrosos-comece-levando-a-governanca-a-serio/ O ponto central do debate A reflexão trazida pelo artigo é clara: governança corporativa não pode ser tratada como um checklist de última hora. Estruturas montadas às pressas, conselhos meramente formais, políticas copiadas sem aderência à realidade da empresa e controles criados apenas para atender exigências regulatórias tendem a gerar fragilidades que se tornam evidentes após a abertura de capital. Governança eficaz exige: A leitura sob a ótica técnica Do ponto de vista de auditoria, compliance e estruturação societária, a abertura de capital deve ser consequência de maturidade organizacional — não instrumento para criá-la. Governança sólida envolve: Empresas que tratam governança como elemento estratégico tendem a construir valor sustentável. Já aquelas que a tratam como formalidade regulatória frequentemente enfrentam dificuldades no período pós-IPO. Uma reflexão necessária O debate é saudável para o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro. IPO não é solução estrutural. É exposição pública de estrutura já existente. Antes de discutir janela de mercado, valuation ou narrativa de crescimento, talvez a pergunta mais relevante seja: A companhia está preparada para operar sob escrutínio permanente? Seguimos acompanhando e comentando temas relevantes em nossa curadoria de notícias, sempre sob a perspectiva de governança, transparência e sustentabilidade empresarial.
Governança nas médias empresas brasileiras: o novo divisor de águas

O retrato das médias empresas em 2025 A Fundação Dom Cabral (FDC) divulgou em seu estudo “Desvendando a produtividade das médias empresas brasileiras” um panorama sobre o papel da governança na competitividade das empresas médias no Brasil. O levantamento analisou 8.875 médias empresas e revelou que menos de 30% possuem estruturas formais de governança, como conselhos, auditorias ou políticas internas documentadas — e que aquelas que já adotaram tais práticas crescem até 40% mais rápido e apresentam margens EBITDA 18% superiores. Mesmo em meio à volatilidade e à reforma tributária, o estudo indica que o fator que mais diferencia as empresas de alta performance é a qualidade da gestão e dos controles. Governança: do discurso à vantagem competitiva Historicamente, a governança era tratada como um tema de grandes corporações. Com o avanço de programas como o Regime Fácil da CVM, maior acesso a crédito e mais regulação fiscal, as médias empresas passaram a jogar em outro nível. As empresas médias mais produtivas contam com lideranças profissionalizadas e estruturas mínimas de governança, mesmo em modelos enxutos. Na prática, isso significa ter conselhos consultivos atuantes, auditoria independente e controles internos integrados à contabilidade e às decisões estratégicas. O papel da auditoria e dos controles internos A ausência de governança estruturada ainda é o principal obstáculo à perenidade das médias. A combinação de auditoria independente + compliance + controles internos padronizados forma o tripé que sustenta crescimento e atrai investidores. Esses mecanismos reduzem riscos operacionais, fortalecem a transparência e criam um ambiente propício para financiamentos e fusões, cada vez mais presentes no middle market. O olhar da H2K Para a H2K, governança não é apenas regulatório — é sustentabilidade e geração de valor. Implementar políticas de integridade, profissionalizar a gestão e integrar contabilidade, auditoria e fiscal prepara a empresa para competir em um mercado mais exigente e digital. Conclusão As médias empresas estão no epicentro da economia brasileira. O grau de maturidade em governança será o divisor de águas entre as que prosperam e as que ficam pelo caminho. 🔗 Fonte oficial: Fundação Dom Cabral — “Desvendando a produtividade das médias empresas brasileiras” (2024) Fale com a H2K Auditores e Consultores para avaliar a maturidade de governança e controles internos da sua empresa e transformar compliance em diferencial competitivo.
O contador diante da nova revolução tributária

O texto de Wesley Gonsalves, publicado no Metro Quadrado (Brazil Journal), trouxe um ponto essencial: a reforma tributária não está apenas transformando o setor imobiliário — ela está redesenhando o papel do contador. As três revoluções da contabilidade moderna Nos últimos 15 anos, a profissão contábil viveu duas grandes revoluções: a informatização das obrigações fiscais e a adoção das normas internacionais de contabilidade (IFRS). Essas mudanças tiraram o contador da função de guardião de livros e o colocaram como intérprete da essência econômica das operações empresariais. Agora, uma terceira onda chega com força: a reforma tributária sobre o consumo. E ela exige muito mais do contador. A nova lógica da tributação imobiliária Até hoje, a tributação no setor imobiliário era simples: bastava aplicar 4% sobre a receita bruta no RET e seguir em frente. Com o novo sistema, a forma como terrenos e insumos são adquiridos — de pessoa física ou jurídica — passa a impactar diretamente a geração de créditos tributários. Mais do que isso: se o tributo não for pago na etapa anterior da cadeia, o crédito não se forma para o próximo elo.Isso muda tudo. O diálogo entre contabilidade, fiscal e jurídico — tanto da empresa quanto dos fornecedores — será intenso e determinante. Haverá uma verdadeira revolução na forma de comprar e contratar, exigindo contratos revisados, controles integrados e uma nova cultura de compliance tributário. O contador no centro da estratégia O contador do futuro próximo — que já é o contador de agora — precisará dominar custos, contratos, crédito e controle. A contabilidade volta ao centro da estratégia, não apenas como registro, mas como ferramenta viva de decisão e sustentabilidade do negócio. A reforma tributária está recolocando o contador como protagonista — não do passado, mas do futuro. Conclusão A revolução tributária em curso é também uma revolução contábil. Ela exige atualização técnica, integração entre áreas e uma nova postura estratégica dos profissionais que sustentam as empresas brasileiras. 🔗 Leitura recomendada: Como a reforma tributária pode atrasar lançamentos Fale com a H2K Auditores e Consultores para entender como a reforma tributária impacta o seu setor e como estruturar controles contábeis e fiscais prontos para a nova era do consumo.