A discussão global sobre transparência corporativa está mudando de foco.
O novo presidente da SEC, Paul Atkins, reacendeu um debate importante: será que o mercado realmente precisa de demonstrações financeiras trimestrais obrigatórias?
A provocação não trata de reduzir transparência — pelo contrário, trata de aumentá-la.
A questão deixa de ser sobre quando divulgar e passa a ser sobre o que realmente importa divulgar para compreender a saúde, a estratégia e a direção de uma companhia.
A crítica aos ciclos trimestrais não é nova. Empresas listadas em mercados mais maduros já relataram dificuldades em manter uma visão de longo prazo diante da pressão por resultados curtos.
Relatórios repetitivos, sem mudanças materiais e com informações padronizadas acabam diluindo o valor da comunicação.
Nesse movimento, a recorrência vira obrigação — e a relevância, exceção.
O Brasil já entrou nessa discussão — e abriu caminho para um modelo mais inteligente.
Com o Regime Fácil da CVM, pequenas e médias empresas podem reportar informações semestrais sem perder credibilidade nem acesso ao mercado de capitais.
Não é sobre falar menos, é sobre falar quando houver algo a dizer — e dizer o que realmente importa.
A essência permanece: governança, transparência e qualidade da informação.
Informação financeira não deve ser um checklist burocrático.
Ela precisa refletir realidade, estratégia e riscos — com profundidade.
Relatar com propósito é mais valioso do que relatar com frequência.
Se o mercado brasileiro quer amadurecer, esse pode ser o caminho: menos comunicação obrigatória, mais compreensão e clareza estratégica.
Conclusão
A mudança na forma de reportar informações financeiras não representa fragilidade — representa evolução.
Empresas que priorizam informação útil, contextualizada e orientada a futuro constroem credibilidade real no mercado de capitais.
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