Um movimento estrutural no mercado brasileiro
A edição 2025 da pesquisa “Panorama das Divulgações: Relatórios sobre Sustentabilidade no Brasil”, conduzida pelo Ibracon – Instituto de Auditoria Independente do Brasil, mostra uma virada importante no mercado de capitais brasileiro: 77% dos relatórios de sustentabilidade divulgados por companhias de capital aberto foram submetidos à asseguração, e em 74% desses casos o trabalho foi realizado por auditorias independentes.
O estudo analisou os relatórios de sustentabilidade de 95 companhias abertas que compõem o índice IBrX 100 da B3, oferecendo um retrato consistente das práticas de reporte não financeiro no país. O resultado confirma uma tendência: relatório ESG sem asseguração vem perdendo relevância perante investidores, credores e demais stakeholders.
Por que as empresas estão buscando asseguração?
A pesquisa evidencia que a asseguração deixou de ser um “extra” e passou a ser parte da estratégia de governança e transparência. Entre os principais motivos para contratar asseguração independente, destacam-se:
- Aumentar a confiabilidade das informações de sustentabilidade reportadas ao mercado;
- Atender exigências de investidores, bancos e fundos, que pedem dados ESG consistentes;
- Reduzir riscos reputacionais e regulatórios, em um ambiente com mais escrutínio;
- Garantir alinhamento entre informações financeiras e não financeiras, evitando contradições.
A perspectiva regulatória reforça esse movimento: com a adoção das normas internacionais de sustentabilidade (IFRS S1 e S2) e a expectativa de exigências crescentes por parte de reguladores, bolsa e investidores, a tendência é que a asseguração se torne, gradualmente, padrão mínimo para quem quer acesso a capital em condições competitivas.
O que isso significa para médias empresas?
Embora o foco da pesquisa sejam companhias abertas que compõem o IBrX 100, os efeitos desse movimento chegam diretamente ao middle market. Médias empresas que: fornecem para grandes grupos ou multinacionais; buscam fundos de investimento ou financiamentos estruturados; atuam em setores com alta exposição socioambiental (imobiliário, infraestrutura, agro, indústria, varejo, logística); já começam a sentir a pressão por dados ESG mais organizados, rastreáveis e verificáveis. Na prática, isso significa que mesmo empresas que ainda não publicam relatórios formais de sustentabilidade precisarão estruturar indicadores, bases de dados e controles internos ligados a temas ESG.
O papel da auditoria e dos controles internos
A asseguração independente de relatórios ESG exige uma base mínima de organização interna. Entre os pilares essenciais estão:
- Indicadores claramente definidos (ambientais, sociais e de governança);
- Bases de dados confiáveis, com origens, premissas e métodos documentados;
- Controles internos integrados à contabilidade e à governança;
- Processos rastreáveis – quem coleta, quem consolida, quem aprova;
- Ambiente de TI que permita evidenciar e reproduzir informações quando necessário.
Nesse contexto, a auditoria independente deixa de olhar apenas para as demonstrações financeiras e passa a avaliar também a qualidade dos processos, sistemas e controles que suportam os números ESG:
- emissões, consumo de energia, resíduos e uso de recursos naturais;
- indicadores de capital humano, saúde e segurança, treinamento, diversidade;
- estrutura de governança, compliance, gestão de riscos e integridade.
Para a média empresa, esse movimento é desafiador, mas também é uma oportunidade de elevar o padrão operacional e de governança e se posicionar melhor em cadeias de valor cada vez mais exigentes.
O olhar da H2K
Na visão da H2K, a discussão sobre ESG precisa sair do campo puramente reputacional e entrar de vez no campo técnico e de governança. Relatórios bem elaborados, com dados confiáveis e asseguração independente:
- fortalecem a credibilidade da empresa diante de bancos, investidores e parceiros;
- reduzem assimetrias de informação e riscos de questionamentos futuros;
- ajudam a organizar processos internos, responsabilidades e métricas de desempenho;
- preparam o negócio para exigências regulatórias e oportunidades de financiamento sustentável.
ESG, para nós, não é “marketing verde”: é estrutura, controle e transparência, apoiados por uma leitura integrada entre contabilidade, auditoria e estratégia.
Conclusão
Se 77% das companhias abertas já asseguram seus relatórios de sustentabilidade, o recado está dado: o mercado está migrando para um patamar onde narrativa sem evidência perde espaço.
Para as médias empresas, o momento é de preparação: organizar dados, fortalecer controles internos, integrar temas ESG à gestão e, quando fizer sentido, avançar para relatórios com asseguração independente. Quem se move agora chega na próxima onda com vantagem competitiva.
Fonte oficial: Pesquisa ESG 2025 – Panorama das Divulgações: Relatórios sobre Sustentabilidade no Brasil – Ibracon
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